Skip to main content

Command Palette

Search for a command to run...

Code review com agentes na prática

o que a Ericsson descobriu ao colocar agentes para revisar código

Updated
5 min readView as Markdown
Code review com agentes na prática
A
Engenheiro de Software Sênior e Arquiteto de Soluções com mais de 20 anos de experiência construindo sistemas distribuídos e de alta criticidade. Autor da série de livros "Engenharia de Software Assistida por IA". Escrevo sobre arquitetura de software, ecossistema .NET, engenharia de contexto, MCP e como utilizar agentes de IA para criar sistemas robustos. 📚 Livros na Amazon: https://www.amazon.com.br/stores/author/B0H7VR7VS3/allbooks ---------------- Senior Software Engineer & Solution Architect with over 20 years of experience building scalable, distributed systems. Author of "Engenharia de Software Assistida por IA". Writing about modern software architecture, .NET, context engineering, MCP, and AI-assisted development. 📚 Books on Amazon: https://www.amazon.com.br/stores/author/B0H7VR7VS3/allbooks

Mais código. Menos revisão. O descompasso é antigo.

A Ericsson resolveu testar uma saída diferente. Em vez de tentar revisar mais rápido, colocou agentes especializados para fazer a primeira triagem de code review com contexto real do projeto.

O estudo foi publicado no arXiv em setembro de 2026 (Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson). Os números são extremamente reveladores — não por serem exagerados, mas pela sua precisão.


O que eles fizeram

A equipe seguiu a metodologia Design Science Research. Isso significa que não montaram um benchmark artificial; pegaram commits reais da empresa e avaliaram a solução em ambiente de produção.

O sistema combina duas bases essenciais:

  1. Skills de agentes: Carregam antipadrões conhecidos e específicos daquele codebase.
  2. Conhecimento do ambiente: Fornece as regras específicas do projeto — arquitetura, convenções e restrições que não estão escritas em nenhum repositório público.

A análise ocorre estritamente em quatro eixos distintos: legibilidade, manutenibilidade, confiabilidade e performance. Nada de termos genéricos como "qualidade geral" ou "boas práticas".


O que os dados mostram

Indicador Resultado
Issues identificadas +200
Acurácia na detecção (validada por devs da Ericsson) 96%
Issues considerados importantes 69%
Issues severos (precisam de correção obrigatória) 33%
Issues importantes (deveriam ser corrigidos) 36%

Fonte: Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson (arXiv:2609.15877, setembro/2026)


Por que funcionou?

O agente de review não funcionou bem só porque o modelo subjacente é potente. Funcionou porque recebeu o contexto específico do projeto e skills orientadas aos antipadrões reais daquele código.

Um agente sem contexto gera apenas comentários genéricos que parecem úteis, mas não agregam valor prático:

  • "Considere dividir este método."
  • "Talvez extrair esta lógica."
  • "Avalie a possibilidade de usar injeção de dependência."

Comentários superficiais que o desenvolvedor lê e pensa: "isso eu já sei".

O agente da Ericsson evita isso. Como ele conhece os antipadrões do repositório e as decisões arquiteturais vigentes, suas observações são direcionadas e fundamentadas.


O que Fazer vs. O que Não Fazer

🚫 O que NÃO Fazer

  1. Não peça review genérico: Comandos do tipo "Revise este código" geram sugestões genéricas e ignoram o que realmente precisa de atenção crítica no projeto.
  2. Não use um agente sem contexto do projeto: Sem conhecer os antipadrões locais, o agente se limita a apontar regras óbvias de estilo e repeating de livros didáticos.
  3. Não confunda volume de comentários com qualidade: Um agente que gera 50 comentários genéricos cria ruído e trabalho desnecessário; 5 comentários precisos geram valor imediato.
  4. Não trate o agente como substituto do revisor: A triagem pode ser delegada, mas a decisão sobre o que entra em produção continua sendo responsabilidade humana.

✅ O que FAZER

  1. Forneça contexto específico do projeto: Inclua documentos de arquitetura, convenções e limites técnicos no prompt/agente.
  2. Defina antipadrões conhecidos: Utilize skills focadas nas falhas e vícios de código que seu time já mapeou.
  3. Separe eixos de análise: Avalie o código sob perspectivas bem definidas (legibilidade, manutenibilidade, confiabilidade e performance).
  4. Valide com quem conhece o código: Os indicadores de acurácia só têm valor quando auditados por engenheiros do próprio projeto.
  5. Use o agente para triagem, não para aprovação final: O agente aponta os problemas; o desenvolvedor decide o merge.

A implicação prática

Revisar código gerado por agentes usando outro agente parece, à primeira vista, uma solução mágica: um gera, o outro revisa e o humano apenas aprova.

Na prática, esse fluxo só funciona quando o agente revisor possui o contexto do ambiente. Sem isso, o resultado é ruído puro. O estudo da Ericsson prova que a verdadeira vantagem não reside no modelo de linguagem escolhido, mas na qualidade do contexto fornecido.

"Um agente de review sem contexto gera comentários genéricos. Com contexto, gera comentários úteis. A diferença está no que ele sabe sobre o projeto — não no modelo que ele usa."


📚 Fontes da Pesquisa

  1. arXiv (2026): Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson (arXiv:2609.15877, setembro/2026). Estudo focado em Design Science Research com avaliação de commits reais em 4 eixos estruturados.

📖 Leituras Recomendadas

Quem quiser aprofundar supervisão e auditoria de código gerado por IA encontra o tema tratado de forma estruturada na série Engenharia de Software Assistida por IA, em especial no Volume VI – Supervisão e Auditoria de Código Gerado por IA.

💡 Destaques:

  • 🏷️ Cupom de 30% OFF nos eBooks: LEIA30
  • 📖 Disponível também no Kindle Unlimited!

👉 Série eBook completa:

https://link.amazon/B09KdiptI

📖 Livros Físicos (capa comum):

🔗 Página do autor na Amazon:

https://link.amazon/B0igkvwcK


#EngenhariaDeSoftware #InteligenciaArtificial #IA #SoftwareEngineering #AIAgents #CodeReview

25 views