Code review com agentes na prática
o que a Ericsson descobriu ao colocar agentes para revisar código

Mais código. Menos revisão. O descompasso é antigo.
A Ericsson resolveu testar uma saída diferente. Em vez de tentar revisar mais rápido, colocou agentes especializados para fazer a primeira triagem de code review com contexto real do projeto.
O estudo foi publicado no arXiv em setembro de 2026 (Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson). Os números são extremamente reveladores — não por serem exagerados, mas pela sua precisão.
O que eles fizeram
A equipe seguiu a metodologia Design Science Research. Isso significa que não montaram um benchmark artificial; pegaram commits reais da empresa e avaliaram a solução em ambiente de produção.
O sistema combina duas bases essenciais:
- Skills de agentes: Carregam antipadrões conhecidos e específicos daquele codebase.
- Conhecimento do ambiente: Fornece as regras específicas do projeto — arquitetura, convenções e restrições que não estão escritas em nenhum repositório público.
A análise ocorre estritamente em quatro eixos distintos: legibilidade, manutenibilidade, confiabilidade e performance. Nada de termos genéricos como "qualidade geral" ou "boas práticas".
O que os dados mostram
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Issues identificadas | +200 |
| Acurácia na detecção (validada por devs da Ericsson) | 96% |
| Issues considerados importantes | 69% |
| Issues severos (precisam de correção obrigatória) | 33% |
| Issues importantes (deveriam ser corrigidos) | 36% |
Fonte: Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson (arXiv:2609.15877, setembro/2026)
Por que funcionou?
O agente de review não funcionou bem só porque o modelo subjacente é potente. Funcionou porque recebeu o contexto específico do projeto e skills orientadas aos antipadrões reais daquele código.
Um agente sem contexto gera apenas comentários genéricos que parecem úteis, mas não agregam valor prático:
- "Considere dividir este método."
- "Talvez extrair esta lógica."
- "Avalie a possibilidade de usar injeção de dependência."
Comentários superficiais que o desenvolvedor lê e pensa: "isso eu já sei".
O agente da Ericsson evita isso. Como ele conhece os antipadrões do repositório e as decisões arquiteturais vigentes, suas observações são direcionadas e fundamentadas.
O que Fazer vs. O que Não Fazer
🚫 O que NÃO Fazer
- Não peça review genérico: Comandos do tipo "Revise este código" geram sugestões genéricas e ignoram o que realmente precisa de atenção crítica no projeto.
- Não use um agente sem contexto do projeto: Sem conhecer os antipadrões locais, o agente se limita a apontar regras óbvias de estilo e repeating de livros didáticos.
- Não confunda volume de comentários com qualidade: Um agente que gera 50 comentários genéricos cria ruído e trabalho desnecessário; 5 comentários precisos geram valor imediato.
- Não trate o agente como substituto do revisor: A triagem pode ser delegada, mas a decisão sobre o que entra em produção continua sendo responsabilidade humana.
✅ O que FAZER
- Forneça contexto específico do projeto: Inclua documentos de arquitetura, convenções e limites técnicos no prompt/agente.
- Defina antipadrões conhecidos: Utilize skills focadas nas falhas e vícios de código que seu time já mapeou.
- Separe eixos de análise: Avalie o código sob perspectivas bem definidas (legibilidade, manutenibilidade, confiabilidade e performance).
- Valide com quem conhece o código: Os indicadores de acurácia só têm valor quando auditados por engenheiros do próprio projeto.
- Use o agente para triagem, não para aprovação final: O agente aponta os problemas; o desenvolvedor decide o merge.
A implicação prática
Revisar código gerado por agentes usando outro agente parece, à primeira vista, uma solução mágica: um gera, o outro revisa e o humano apenas aprova.
Na prática, esse fluxo só funciona quando o agente revisor possui o contexto do ambiente. Sem isso, o resultado é ruído puro. O estudo da Ericsson prova que a verdadeira vantagem não reside no modelo de linguagem escolhido, mas na qualidade do contexto fornecido.
"Um agente de review sem contexto gera comentários genéricos. Com contexto, gera comentários úteis. A diferença está no que ele sabe sobre o projeto — não no modelo que ele usa."
📚 Fontes da Pesquisa
- arXiv (2026): Using Agentic AI for contextualized and multifaceted code review at Ericsson (arXiv:2609.15877, setembro/2026). Estudo focado em Design Science Research com avaliação de commits reais em 4 eixos estruturados.
📖 Leituras Recomendadas
Quem quiser aprofundar supervisão e auditoria de código gerado por IA encontra o tema tratado de forma estruturada na série Engenharia de Software Assistida por IA, em especial no Volume VI – Supervisão e Auditoria de Código Gerado por IA.
💡 Destaques:
- 🏷️ Cupom de 30% OFF nos eBooks:
LEIA30 - 📖 Disponível também no Kindle Unlimited!
👉 Série eBook completa:
📖 Livros Físicos (capa comum):
- 📘 Volume I - A Nova Realidade da Engenharia de Software
- 📙 Volume II - Fundamentos que a IA Não Substitui
- 📗 Volume III - Engenharia de Requisitos na Era da IA
- 📕 Volume IV - Arquitetura e Design de Soluções na Era da IA
- 📓 Volume V - Delegação Técnica para IA
- 📔 Volume VI - Supervisão e Auditoria de Código Gerado por IA
- 📒 Volume VII - Aplicações Reais
- 📗 Volume VIII - Engenharia de Contexto e Governança de IA
🔗 Página do autor na Amazon:
#EngenhariaDeSoftware #InteligenciaArtificial #IA #SoftwareEngineering #AIAgents #CodeReview






